Conhecimento

O Conhecimento

          “Alguém se decide afinal a saber. Monta em sua bicicleta, pedala para o campo aberto, afastando-se do caminho habitual e seguindo por outra trilha.

          Como não existe sinalização, ele tem de confiar apenas no que vê com os próprios olhos diante de si e no que mede com seu avanço. O que o impulsiona é, antes de tudo, a alegria de descobrir. E o que para ele era mais um pressentimento, agora se transforma em certeza.

          Eis, porém, que o caminho termina, diante de um largo rio. Ele desce da bicicleta. Sabe que, se quiser avançar, deverá deixar na margem tudo o que leva consigo. Perderá o solo firme, será carregado e impulsionado por uma força que pode mais do que ele, à qual precisará entregar-se. Por isso hesita e recua.

           Pedalando de volta para casa, dá-se conta de que pouco conhece do que poderia ajudar e dificilmente conseguirá comunicá-lo a outros. Já tinha vivido, por várias vezes, a situação de alguém que corre atrás de outro ciclista para avisá-lo de que o pára-lama está solto: ‘Ei, você aí, o seu pára-lama está batendo!’ – ‘Não consigo entender!’, responde o outro.

          Resolve então procurar um mestre e pergunta-lhe: ‘Como é que você consegue ajudar outras pessoas?’

         O mestre lhe responde: ‘Quando alguém pára no caminho e não quer avançar, o problema não está no saber. Ele busca segurança quando é preciso coragem e quer liberdade quando o certo não lhe deixa escolha. Assim, fica dando voltas.’

         O mestre então busca o próprio centro e, recolhido nele, espera por uma palavra eficaz, como quem abre as velas e aguarda pelo vento. Em seguida acrescenta: ‘No centro sentimos leveza.’”

(Extraído do livro: Ordens do Amor – de Bert Hellinguer)

“Um dia quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste.”
Sigmund Freud